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Alfarrábios (XIII)

Sem mais.

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Inquietude IX (Borbotão)

Belo Horizonte, 9 de novembro de 2005 (quarta-feira) – 01:35

Estou, mais uma vez, às voltas com a ávida inquietude.

É excruciante como as coisas podem ser ao mesmo tempo boas e ruins e pálidas em nossa rotina sufocante de um instante após o outro que se apropria dos pequenos prazeres fúteis e extáticos porque o gozo precede o fim da plenitude fugaz alcançada ao custo de minúsculas pendências verídicas que não passam de ilusões pérfidas da construção de um futuro gélido acreditado ditoso por todos aqueles que compactuam com a morbidez “transgênica” concomitante ao atavismo louco de desejos nada instintivos mas impostos pela milenar tradição de fazer um certo e outro acerto sem esquecer da pontualidade exigida para cada novo fim aliás começo disfarçado de objetivo meta alcance precedido por planos disciplina bestial qual aquela da matilha que cede ao líder as fêmeas escolhidas por simples autoafirmação do privilégio sobre o fraco até que este o desafie e vença ocupando o lugar anteriormente cobiçado mas desprezado em razão do desdém pelo que se quer comprar qual forma de temor disfarçado de respeito agora conquistado em batalha de morte vislumbrada a possibilidade de sobrepujar o opressor ditador ocupando e fazendo o dantes questionado já que diferente se torna o varão mais viril escrotal tal a fé no poder precedente querer outorgado julgado mérito próprio e exclusivo não possuído de fato mas biblificado pelo costume de ser não mas se não transformado em apoio decente vitória da mente encalhada em contradições congênitas e precursoras da própria existência inútil por vezes descartável da vontade de ser não apenas estar um momento limite tênue porém verossímil da parca e medíocre vida que chamamos enraivecidos envaidecidos nossa.

09/11/2005 – 02:01

(Publicado originalmente às 12h59 de 09/11/2005, em http://marcosarthur.blogspot.com.)

Vis ceras

Minhas vísceras falam
murmuram gritam
expelem o fel que desce às gargantas
e arrancam pedaços
e colam e latejam
ejaculam partes de mim

vis

Minhas vísceras tremem e tomam
e expelem pedaços ferruginosos
de vísceras de nádegas de pés de mãos entrelaçados
e dobram como os sinos a sina
de coma de acne
de pústulas póstumas decadentes
avesso perverso
de portas de tortas
vertendo suor de rios
jatos
vadios
baldios

ceras

vômitos

Minhas vísceras falam
e cantam e blasfemam
debulham esfolam
contorcem e tropeçam
espalham a peste a veste

vis


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