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1h56’26”

XII Volta Internacional da Pampulha, em 2010

Esse é cerca de 1/4 do tempo que eu deveria dormir por dia – geralmente, durmo menos; ou aproximadamente 1/4 do tempo que eu deveria trabalhar por dia – geralmente, trabalho mais. Porém, não é nem uma coisa nem outra. Essa é a marca que eu conquistei na 5ª edição da Meia Maratona Internacional de São Paulo, depois de mais ou menos um ano de treinos. E, ao completar um ano e meio, em junho, pretendo enfrentar a “versão inteira”.

Muitos dos meus amigos têm-me perguntado por que, já que boa parte deles não consegue enxergar o valor de “tanto esforço” – embora a maioria reconheça que a prática regular de esportes pode ser muito benéfica à saúde. Não os culpo. Eu mesmo me perguntava isso ainda depois de já ter começado a treinar. Isso numa época em que eu achava que os meus treinos não passariam dos 6 km. Participar de provas, então, era lenda pura.

(Aqui, vale esclarecer um ponto: já corri antes, e com frequência razoável – e regular – mas nunca havia treinado como agora. E nunca havia treinado com um verdadeiro “técnico” – que prefiro chamar de mestre.)

O fato é que, ao longo de todo esse período em que venho treinando, desde que tive a oportunidade de conhecer o Emerson e a Nova Equipe, passei por vários estágios que me fizeram ir do “quase parado” ao desejo de correr uma ultramaratona. E aí, aos que pensam que vou virar “profissional”, não se enganem. Para chegar lá, o nível de dedicação, disciplina e estudo (sim, estudo!) tem de ser muito maior do que o meu. E eu não abandonei a minha vidinha “pacata”. Continuo trabalhando pra caramba e apreciando e cultivando as coisas “mundanas”, como o boteco de terça-feira à noite ou a feijoada de sábado à tarde. Só que hoje procuro equilibrar “tudo isso” com a minha vida de (nem-chego-perto)atleta.

A história começou quando, no início de 2010, ao realizar meu primeiro check-up (depois dos 30, sabe como é…), descobri uma taxa de colesterol um tanto acima da faixa limítrofe – que por si só já apresenta o seu grau de risco. Se o médico me recomendou exercícios? Na verdade, não. Ele me passou uma dose diária de 20 mg de sinvastatina (caso prefira, esta referência é menos técnica) e me entregou uma tabelinha com três colunas, contendo os alimentos que eu deveria evitar, os que eu deveria moderar e os que eu poderia consumir à vontade (esta última coluna, naturalmente, excluía boa parte das coisas boas do universo gastronômico).

Então, a pergunta persiste: por que todo esse esforço? Vamos lá, eu respondo! Porque embora inicialmente a corrida tenha surgido como alternativa mais saudável do que os remédios para o controle do colesterol, ela hoje é algo que me traz não apenas o prazer das maravilhosas endorfinas (quando você passa dos 10 km, a sensação é indescritível!), mas uma tranquilidade ímpar em relação aos problemas da vida em geral, principalmente de trabalho. E aí sim é a minha vez de perguntar aos workaholics de plantão (e algumas vezes sou obrigado a me incluir nesse grupo do qual não tenho orgulho) por que fazer tanto esforço. Ei, vocês aí, acreditem: a corrida alivia o estresse e melhora a qualidade de vida!

O que mais? (É certo que a dieta provocada pelo colesterol tem tudo a ver com isso, mas) a corrida me ajudou a melhorar – e muito – a minha alimentação. E provocou um “salto de qualidade” no meu consumo de água (hoje, me hidrato bem mais – acho que não preciso ficar desfiando os benefícios disso). Isso sem falar na minha relação com o sono. Nem mesmo me lembro da última vez que tive dificuldades para dormir.

Enfim, a proposta aqui não é fazer uma “ode” à corrida, nem torná-la a panacéia dos males do mundo, mas deixar um pouco da minha experiência como singelo exemplo. E quem for de seguir, que siga. Quem não for, que pelo menos torça por mim. Afinal, a maratona vem aí!


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