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Robô, eu?

Ontem, eu fui intitulado “o paladino do Twitter”. Em outra ocasião, fui comparado ao Dalai Lama. E fez-se inevitável não comentar a temática. Sobre as afirmações dos meus queridos amigos, eu diria: “Quem me dera.” – porque de fato eu nem de perto me considero comparável a essas entidades.

A verdade é que o meu costumeiro otimismo e a minha habitual crença na humanidade me levam a um estado de reflexão permanente, que tento retransmitir para aqueles que minimamente me dão algum crédito – e eventualmente para os que não dão. Porém, nessa “cruzada” (as aspas são para dar efeito dramático), sou constantemente tachado de romântico ou de “bonzinho” (as aspas são para causar efeito irônico). Sobre esse último adjetivo, por vezes disparado com sarcasmo (e às vezes com pena), ouvi inúmeras vezes que os bonzinhos costumam se dar mal – pra não dizer outra coisa.

Pois bem, se a alguém interessar o que penso sobre tudo isso, digo que talvez eu seja mesmo um pouco romântico – uma vez que isso significaria, em sentido “transubstanciado”, venerar uma perfeição inalcançável – mas nem de longe posso ser considerado bonzinho. E não afirmo isso querendo construir minha fama de mau, mas com a consciência de que o que faço pela humanidade é quase nada, principalmente comparado a pessoas que dedicam suas vidas a causas nobres, como lutar lado a lado com os rebeldes na (crise) Síria ou cuidar de comunidades inteiras infectadas pela malária ou pelo HIV na África, sem se importar com conforto ou fartura. Nesse sentido, instituições como a Avaaz ou os Médicos Sem Fronteiras estão a anos-luz das minhas humildes tentativas.

Ora, mas o que isso tem a ver com o título deste post?

Explico: a discussão pelo Twitter acabou rendendo até chegar nos robôs. E daí para as Três Leis da Robótica de Isaac Asimov. Nem é preciso pensar muito sobre elas para concluir que, se os seres humanos seguissem apenas a primeira, nenhuma outra lei seria necessária para a humanidade. O problema é que, como no próprio compêndio de Asimov, a “outra” humanidade se sobrepõe à lei e, assim, o “mal” (mais efeito dramático) acaba por prevalecer em ambos os seres, que passam a disputar o controle do mundo. Para quem não conhece a história, proponho ao leitor descobrir quem teria iniciado o conflito – e ir além do meu resumo superficial.

Voltando ao dilema original, a problemática é bem simples: bondade não vende. E também não assegura poder, pelo menos não na forma como os homens o desejam. E soma-se a isso a preguiça costumeira de se tentar rever o modo como agimos e pensamos. Porque ser egocêntrico é mais fácil e mudar o modelo dominante dá muito trabalho. Afinal, somos seres inteligentes e, por natureza, seguimos a lei do menor esforço.

E, para não dizerem por aí que sou um panfletário, encerro com uma reflexão proposta pelo Nobel John Nash que, sem ser comunista ou socialista, provou matematicamente que o sucesso individual não pode ser pleno sem que o coletivo seja observado. Para quem não sabe do que estou falando, recomendo conhecer a Teoria dos Jogos. Quem sabe ela não inspira a pensar em um modelo mais recompensador?


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