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Pensamento do dia

A amizade é um bálsamo realmente poderoso.


Alfarrábios (VII)

Seguindo com as reedições, o post que vem hoje nada mais é do que um devaneio longínquo que foi ironicamente intitulado Fato. Espero que evoque coisas boas, coisas ruins, mas, principalmente, que faça refletir. Sempre na busca pelo “ser melhor”. Cada um com o seu pensamento. Cada um com o seu fato.

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Inquietude III (Fato)

Belo Horizonte, 18 de janeiro de 2005 – 02:35

Olhos marejados, fitou o horizonte como se buscasse alguma solução para sua angústia reprimida. Não encontrou. Lentamente, foi retomando o foco, observando, à sua frente, aquele mesmo Café. O mesmo em que, algumas vezes, estiveram juntos, falando sobre a vida ou rindo das banalidades que ela proporciona. Lembrou-se das conversas, dos chopes, dos cafés. Sentiu-se pequeno.

Alguma coisa o incomodava entre a sua aparente insignificância e a importância de seus atos diante do aprendizado de quantos lhe cercavam e, sobretudo, dele mesmo. Absorto, não via, senão, o passado recente, em que algo lhe fustigava a alma, obrigando-o a refletir. Mais uma vez, a verdade havia sido preferida, em detrimento das conseqüências imediatas. Lembrava-se daquela comparação com o diamante: a jóia mais rara, mais brilhante, mais pura e mais valiosa, porém, a mais dura. Mesmo assim, não omitiu.

Sabia que aquele ato podia lhe custar muito, embora a muitos parecesse banal, à primeira vista. “Afinal, cada um tem o direito de pensar como quer”, era o que acreditava. O que lhe entristecia não era o fato em si, mas o que ele provocara, esmiuçando as mais expostas inferioridades do ser humano. Em todos, o orgulho, o egoísmo, a individualidade levada ao extremo. Em todos, a ignorância do que era mais importante.

“É essa a conveniência do livre arbítrio”, pensava consigo. Mas continuava a crer que o “algo maior” deveria prevalecer. E prevalecia. Não deixou de assumir o que lhe competia, encarando o erro como possibilidade de crescimento. Era assim que devia ser. Então, se perguntou onde estaria o equívoco. Não soube ao certo responder. No fundo, sentia uma enorme contradição: havia ou não caído em desatino? Preferiu deixar a cada um decidir como enxergar.

Algum tempo depois, conversaram. Viu que ambos, de certa forma, imputavam-lhe algum deslize, embora em ângulos diferentes. Concluiu, então, que, ao mesmo tempo, errara e acertara. E lembrou-se daquelas primeiras aulas de Física, em que a professora garantira que o movimento “depende do referencial”. Desde aquela aula, aquilo ficou marcado e ele compreendera melhor (mas não totalmente) o que era o tão controvertido “ponto de vista”.

Por instantes, sentiu-se saudável, acreditando que as divergências que constroem o mundo são necessárias para que ele alcance um patamar superior. Durante aqueles dias, havia sido apoiado por amigos, simplesmente porque o amavam e nada mais. Podiam até mesmo discordar do que ele havia proposto, da forma como pensava ou agia. Mas o amavam e isso bastava para que o compreendessem.

Alguns dias depois, falou. Falou e ouviu. De segundos, de terceiros. Refletiu mais um pouco e, nem de longe, sentiu-se mais íntegro. Porém, vislumbrou novos caminhos, novas possibilidades. É que ele acreditava realmente que o amor, o verdadeiro amor, aquele que buscava com todas as suas forças, venceria os convencionalismos, embora essa crença fosse o clichê mais comumente usado nas situações difíceis.

Nesse momento, parou de problematizar. Preferiu deixar os corações e mentes alcançarem sua própria plenitude de acordo com o tempo – aquele elemento que o homem criou para medir razão e sentimento – que vai passando sem avisar e, sem esperar ou parar, continua seu caminho pela eternidade. Então, reuniu os fragmentos de sua angústia e decidiu viver, amar e buscar aquilo que os homens ainda não encontraram: a felicidade. Nesse momento, voltando a si, sorriu, certo de que o mundo nada mais é do que o reflexo dos nossos próprios pensamentos.

18/01/2005 – 03:13

(Publicado originalmente às 10h49 de 18/01/2005, em http://marcosarthur.blogspot.com.)


Alfarrábios (VI)

Conforme prometido, reedito o “Inquietude” da semana. Neste, além da adequação ortográfica, tomei a liberdade de acrescentar os links ao final, para que a dedicatória não deixe dúvidas. Boa leitura.

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Inquietude II (Celebração)

Belo Horizonte, 15 de dezembro de 2004 – 02:46

Frequentemente, receio pelo dia de amanhã. Muitas vezes, quando isso acontece, já me esqueci de que amanhã é hoje. Voltar à mesma rotina de sempre, cumprir obrigações, caminhar conforme ditam as regras e os valores sociais. Afinal, não posso sair da linha. Não posso quebrar tabus, tampouco ousar naquilo que faço. Porque isso seria revolucionário demais.

Às vezes, isso chega ao ponto de revoltar-me. Incomodar-me de tal modo que não sei como colocar para fora essa energia criativa (ou seria destrutiva?) a favor de meus instintos mais primitivos ou da razão mais sensata.

De fato, ignoro as consequências dos acontecimentos caso eu resolvesse mudar radicalmente e simplesmente “virar o disco”, tornar as coisas mais fáceis, tratar a vida com mais simplicidade. E as pessoas, com mais tolerância. Afinal, são tão ignorantes quanto eu. De qualquer forma, também não sei do futuro caso decidisse seguir como sentenciam os ditames.

Em momentos como esse, torno-me ainda mais crítico, ferozmente inclinado a mudar todas as coisas de lugar. A gritar onde é necessário o silêncio. A parar onde é necessário correr. Porque correr é um dos convencionalismos mais chatos desses últimos tempos. “O dia já acabou e não fiz metade do que precisava”, é o que dizemos e ouvimos incessantemente. Quando ouço, tenho costumado dizer: “É essa velha mania do tempo de passar sem avisar”.

Isso é uma forma de justificar o quanto estamos desperdiçando de nós mesmos. Sim, porque se não conseguimos fazer o que devemos ou que precisamos, pode isso estar certo? Preferimos não perceber (ou não admitir) e ir “tocando em frente”, contrariamente àquela canção que diz: “Ando devagar, porque já tive pressa…”.

E vamos voando sem ter asas. Porque se tivéssemos asas inventaríamos um meio de seguir ainda mais rápido. Talvez, desejássemos *~#ar. Não é isso que a humanidade tem feito desde o início dos tempos? Inventando meios de produzir, acrescer, sem que isso traga algo verdadeiramente bom?

De repente, resolvo parar. Nem que seja por breves instantes. Olho ao meu redor, encontro algo insubstituível que me faz retomar a coragem e deixar aquele “receio do dia seguinte” um pouco de lado, torcendo para que as horas passem até que outro momento como aquele retorne e, mais uma vez, me permita enxergar o quanto sou feliz.

Por vezes, passo momentos tão belos, que de efêmeros tornam-se eternos. Porque descobri um tesouro que a todos faz sorrir e desejar viver e viver ainda mais. É um bálsamo que invade a alma, impulsionando cada ação para o momento seguinte, num círculo virtuoso que não termina simplesmente porque é um círculo.

De um lado, um. Do outro lado, outro. Estou cercado. Não posso sequer pensar em me deslocar sem pedir licença, porque, se o fizesse, seria certamente menos afortunado. Estou irremediavelmente ligado às relações que me fazem pensar que, além das convenções, existe o respeito. O carinho. A sinceridade. O perdão. A compreensão. O entendimento. O verdadeiro amor sem que seja preciso esboçar uma única palavra. Nesses momentos, agradeço a Deus por me ter permitido conhecer a amizade.

Vida longa aos amigos, que me permitem saber o verdadeiro valor da vida.
Vida eterna aos queridos Bruno, Fernando, Mara e Marina, inspirações divinas do meu humilde saber.

15/12/2004 – 03:19

(Publicado originalmente às 10h51 de 15/12/2004, em http://marcosarthur.blogspot.com.)


Alfarrábios (II)

Vamos lá: para o segundo da série, nada melhor do que um encontro de amigos. As palavras e/ou expressões entre colchetes indicam leves alterações no texto original.

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Top soci (ou agulhagem total)

Belo Horizonte, 6 de abril de 2005 (quarta-feira) – 00:07

Depois do fritacê trabalhístico usual, eu já acreditando que ia desfrutar de minha caminha que jazia solitária no meu quarto, recebo um convite do jonhado culete para a comemoração do aniversário da irmã dele.

Confesso que hesitei por instantes, haja vista que estava cansado e parecia um camarão do sol de meio-dia que havia sido obrigado a suportar. Porém, como não podia de forma alguma negligenciar um compromisso “familiar” de tal envergadura, decidi responder positivamente e aceitar a cerveja que gentilmente me era oferecida.

Na prática, parecia ser mais um daqueles dias em que, na manhã seguinte, eu levantaria com aquela “leve” ressaca, para encarar mais um dia de ralação. Nesse quesito, creio que não estava enganado (vamos ver quando eu levantar).

(Esperem aí, que depois do macarrão instantâneo, termino a parada.)

Mas, na teoria, era mais uma chance de rever os amigos que ultimamente me têm proporcionado [alguns] dos melhores momentos da vida.

As médicas falaram de ginecologia e obstetrícia, os(as) engenheiros(as) falaram de exatas, e o jornalista falou um pouco de cada baboseira. Outros falaram de outras coisas. No final das contas, todos falaram de tudo e a rachação foi geral.

Imagine você receber uma mensagem dizendo que o sapo-boi parece uma perereca (mas é perereca ou sapo?) daquelas bem carnudas… Só estando presente para entender uma besteira dessas. Risos gratuitos, cada um mais alto que o outro.

As características de cada um na fala de cada um, nos gestos, nas palavras. Se não fosse ela, não seria tão ela. Se não dissesse aquilo, não seria tão ela (outra [ela], é claro). Se não soltasse uma daquelas, não seria ele. E assim por diante.

Entender? Esqueça. Você só vai conseguir quando tiver a sua própria turma de amigos (espero que já tenha) e eles estiverem todos ao redor de uma mesa, tomando cerveja, alguns fumando cigarros, outros destilando o simples prazer de estar juntos.

Música, bate-papo e um cinzeiro que lembrava as canecas dos festivais de cerveja que meu pai já tanto frequentou. Drogas? Nenhuma ilícita. Mas garanto que o refrigerante light era a pior delas. Talvez, a religião, a política ou o futebol (mas quem disse que discutimos isso?). Não importa.

De repente, uma quer ir embora porque está cansada, outra, porque também está cansada – e quase gripada. Então, naquele momento [em] que quase ignoro a minha própria casa (não, não estou bêbado), a família resolve me levar em casa e vigiar se estou mesmo entrando direitinho.

Nada comparável. Só a vontade de abraçar a todos e dizer o quanto gosto deles. O quanto são importantes para mim. E quanto o tempo, por mais cronológico que seja, não tem o menor valor “temporal” quando se gosta de verdade.

A vocês, Dani, Lavis, Lina e Marcinha, o meu eterno carinho.
06/04/2005 – 00:47

Um pequeno glossário:

TOP: adjetivo de dois gêneros – o “mais mais”, o melhor, o que está no TOPo; que detém o máximo de qualidades essenciais para satisfazer certos critérios de apreciação (quando escrito, geralmente é utilizado em letras maiúsculas, para causar uma TOP impressão). Ex.: o T. amigo; o T. esquema; o T. lugar.

soci: adjetivo de dois gêneros – forma sucinta (derivativa) de “social” – bacana, legal; interessante, que atrai a atenção; que agrega alto valor; que diz respeito ao ótimo-estar das massas e/ou indivíduos (é comumente utilizado precedido do adjetivo TOP, agregando mais valor à expressão) . Ex.: fui a uma festa TOP s.; conheci uma garota TOP s.

agulhagem: substantivo feminino – qualidade, estilo de vida ou ação própria de agulha; designativo daquele que toma atitudes que podem ser negativas (mais utilizado) ou positivas (menos utilizado), conforme o contexto da ação (muito usado seguido do adjetivo “total”, normalmente, como expressão dita após a narrativa de uma ação executada pelo próprio indivíduo ou por outrem). Ex.: bati o carro no meio-fio. A. total!; aquele samba novo que fiz é uma TOP a.

-cê: sufixo – utilizado para modificar a palavra, de modo a transformá-la num estado. Ex.: frita; trabalha; degusta.

jonhado culete: trocadilho, forma “distorcida” de jolete cunhado.

jolete: substantivo masculino – qualquer ser concreto, conhecido por meio da experiência, que possui uma unidade de caracteres e forma um todo reconhecível (isto é, indivíduo), mas que possui uma característica negativa qualquer (ou seja, todos os humanos do sexo masculino). Ex.: o j. “chegou” na menina; o cara é um j. qualquer.

rachação: substantivo feminino – ato ou efeito de “rachar” (rir); prazer, êxtase, conjunto de sensações alcançadas com o uso de riso. Ex.: ontem, a festa foi uma r.; aquele dia, no bar, foi uma r. total.

(Publicado originalmente às 19h12 de 6/4/2005, em http://marcosarthur.blogspot.com.)

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A publicação original teve um comentário, reproduzido abaixo.

1 Comments:

At 28/4/06 16:08, Anonymous Marcinha said…

Preciosidade… Essa é a palavra prá definir o que esses amigos representam e o que eles proporcionam…
Esse dia Top soci mora na minha memória… As idiossincrasias de cada um deles transformam qualquer agulhagem do dia a dia num top aproveitacê, que mais tarde será transformado em coisa boa de se ler pelos mesmos artistas…
INSUBSTITUÍVEIS!!! AMADÍSSIMOS!!!


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