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A poesia sempre jaz nos corações daqueles que amam, ainda que nunca seja dita ou escrita. E ainda que amar não se direcione ao outro, mas a algo que vale amar. Como a vida.


Vou-me embora?…

Eu já estava de partida quando, de prosa com um amigo, este segredou-me que Pasárgada estava lotada. Havia tantos amigos do rei que o coitado nem mais sabia o que fazer. Já não havia mais mulheres, tampouco camas para se escolher. Então, decidi não ser mais um a incomodar o velho anfitrião e mudei de rota: fui fazer um tour pelo Horizonte.


…E o Gigante Cinza devora as almas dos incautos, deixando seus corações vazios e inertes. Ou desesperados.


E eu escreveria até que se acabassem as palavras. E então inventaria novas.


Dito mineiro

O bom filho à casa entorna.


Verbo rangia

O bom filho à casa torna. Ou assim falou Zaratustra. Decifra-me ou devoro-te!


Essa noite sonhei com palavras
e as palavras revelaram-me dizeres
e os dizeres eram certos
como o sol que se levanta no pós-dia

Havia um campo de flores
eram assim umas tantas
coloridas
e havia uma mulher
de cabelos longos
e negros

Ela sorria e
ao sorrir
dizia-me um sem número de vidas
e eu também sorria

Sim
ela estava longe
mas meu espírito podia tocá-la
e meu espírito era envolvido pelo dela

“Não se pode antever o céu” – sussurrou-me
“mas é possível conquistá-lo” – completei
de ouvidos que entendiam

a brisa suave e fria da manhã
fez tremer as janelas

renasci


…E o teu sorriso mal caberia na palma da minha mão. E me olharias devagar, descerrando as pálpebras e o coração. A pele dos teus braços e costas se envergaria sob as pontas dos meus dedos e um suspiro – ou vários – marcaria o compasso de ti.


…E se eu pudesse, lhe apertaria de leve as coxas e lhe faria voltar um pouco ao passado. E lhe beijaria os lábios quentes e lhe sussurraria nada aos ouvidos. E seria feito eu mesmo, sem beira nem eira. Apenas toque e respiração. E algumas palavras sujas entre outras tantas doces.


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