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Despender-me
e outrora
despir-me
Mais um duplo, por favor.


Pensamento do dia

As cinzas da minha quarta-feira revelam nuanças de asfalto e concreto pelo caminho. E o dia me cobre de labor.


A single man
is walking down the alleys
and he has empty hands

The rain falls
and the night has no stars
but he can see the lights
in the puddles

These are candles
lit from behind the windows
to illuminate his path

They glow weak
and are not affected by the winds
that bring the scent of dust

The single man
tries to clear his vision
and seeks his guidance
in the distant barks of dogs

Through the streets
he follows a shadow
his own shadow
and covers his head
and keeps walking
one step at a time

He feels lonely
but has no fears
his heart is strong
and the future is near

The single man walks
just walks
and leaves the past
and faces his doom
with his bare hands
he fights forward


Por fim
o olhar
dessarte palavras
boca
olfato, tato
Fato.


E os meus pedaços estavam ali
talvez nem todos
mas a textura era crível

Os pés de outrora
fincados no chão
deram azo a uma flutuação tímida
pura cautela
ou desavença

Sim, havia uma brisa de verão
era resoluta e fértil
mas carregava olores invernais
e a terra estremeceu

Os soldados vigiavam as feras
espadas em punho, lanças em riste
prenúncio repetido de eras passadas
em que vagavam residentes mórbidos

Juntou-se um pedaço
e outro
e os ventos observavam
de quando em vez reunindo escrúpulos
em redobrado esforço

Aquietou-se o mar
vibrando em fúria reprimida
esperando a noite
para que voltasse a si

E os meus pedaços estavam ali
a contemplar o afã da unidade
no vasto anseio de mim

As mãos de agora
segurando os lábios
deixaram escapar um ruído rouco
puro dissabor
ou medo

E passaram-se instantes…

E os meus pedaços estavam ali
talvez nem todos

Os pés de embora
já iam alto, volitivos
pura ilusão
ou liberdade


Viração

Riu-se
tola
em sua exibição
de espelho

Viu-se
de lado
o perfil em ares
de ironia
cega

Era tarde
e as mulheres
no bar
ludibriavam-se
em suas alegrias
vãs

Era cedo
e os homens
deixavam-se sorver
pelos copos
vazios
mais um
e outros

Todas
tentavam enganar a dor
disfarçada
de sorrisos
de infertilidade sã

Todos
espremiam o sumo
vergastando os olhos
roucos

Viviam
o adormecer
de amores loucos
despertos
em suas entranhas

Elas
mentiras
eles
ilusões

Reflexos
preparando a noite
após o dia
seguinte


Dizlexia 32

Eu queria ser,
poeta
mas como
não sei
amar soul
besta mesmo


Anos-luz

Era
um espaço
pequeno
mas caberia uma constelação


No verso da vida
sintonizo uma estrofe
sem rima
e sou só verve


A poesia sempre jaz nos corações daqueles que amam, ainda que nunca seja dita ou escrita. E ainda que amar não se direcione ao outro, mas a algo que vale amar. Como a vida.


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