Arquivo do mês: março 2012

Terceiro pensamento do dia

De que vale a vida se não pudermos nos entorpecer com o que há de melhor?


Segundo pensamento do dia

O Niemeyer sem dúvida é um bom arquiteto, mesmo que não projete os melhores prédios. Já Vinícius é um excelente arquiteto, mesmo sem projetar prédio algum.


Pensamento do dia

Enquanto alguns vivem o luto, eu procuro viver a luta. O que inclusive demonstra minha predileção pelo feminino.


Quarto pensamento do dia

A história é mais forte do que o homem. A não ser que o homem esteja disposto a mudar a história.


Terceiro pensamento do dia

Eu não quero ter seguidores. Quero ter companheiros.


Segundo pensamento do dia

As diferenças deveriam ser utilizadas em prol da igualdade.


Primeiro pensamento do dia

Cuidar de si tem muito de cuidar do outro.


Um dia…

(Em homenagem a Millôr Fernandes. E para a minha irmã Bethania Duarte.)

Um dia
eu não voltarei a mim
Dormirei nos braços de Morfeu
e acordarei às portas do céu

Um dia
eu não voltarei a mim
Seguirei eterno
e baterei às portas do inferno

Um dia
eu não voltarei a mim
Deixarei as portas
e caminharei por linhas tortas

Um dia
eu não voltarei a mim
Colherei o seu chão
e me esquecerei de que houve refrão

Um dia
eu não voltarei a mim
Cerrarei o meu ato
E levantarei insensato

Um dia
eu não voltarei a mim
E neste dia
estarei no meu lugar

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E deixo aqui uma pérola de Dudu Nicácio e Rosa Souki, nas vozes de Leopoldina e Dudu Nicácio. Nada mais a acrescentar.


Alfarrábios (V)

Seguindo com a proposta de resgatar alguns textos antigos, a partir desta semana, reedito uma série que desenvolvi entre 2004 e 2005 e que traz à tona uma das minhas mais marcantes características: a inquietação. Intitulada simplesmente “Inquietude”, essa série evoca momentos diversos de reflexão sobre a vida, o mundo e a humanidade. Nem tudo o que penso continua necessariamente igual, mas é no mínimo interessante (principalmente para mim mesmo) lembrar como pensei nesses diversos momentos. Deixarei que os posts falem por si só. Conservo a proposta de manter os textos originais, apenas adaptando a ortografia.

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Inquietude I

Hoje é mais uma segunda-feira. Daqui a pouco eu, como muitos, estarei trabalhando para dar vazão aos convencionalismos que a sociedade nos impõe com tanta acidez e iniquidade. Sim, porque somos todos alguma espécie de vítima de nós mesmos. Do dito pensamento coletivo que impregna os corações e mentes daqueles que, como nós, vivem no espaço que ousamos chamar “mundo”. Devo eu sucumbir aos mesmos detalhes de sempre, às mesmas migalhas de pão e circo que a todos agradam na mesma proporção que o espírito anseia por falsas liberdades?

Não, não tenho como responder a tal pergunta, simplesmente porque também sou um deles. Um de vocês. Um de nós. Nós, os mesmos que fazemos do mundo, da vida, o que foram ontem. O que são hoje. E o que serão amanhã. O que se faz intitular “era da informação” ou da “tecnologia”. A mesma criada em benefício da humanidade e do conforto vulgar. As mesmas que nos tornam escravos do convencionalismo cristão ou pagão.

Porque ser cristão ou pagão, hoje, significa muito mais do que aderir ou seguir preceitos religiosos, morais ou indecentemente sociais. Não me atrevo a dizer o que significam. Provavelmente, se os definisse, criaria mais algum tipo de dogma ou convenção. Ou, quem sabe, um “novo” conceito, revolucionário, baseado no que já foi pensado e repensado, dito e redito, mas sob uma “nova” forma, uma forma em que todos passariam a acreditar. Ou que rejeitariam de acordo com o momento, a vigência, as atitudes da turba inconsequente e fria que se ousou chamar humanidade.

Porque dizer “errar é humano” tornou-se belo, mas não foi absorvido na plena acepção do, como disse muitas vezes meu pai, “ditado popular idiota”. É belo não ter preconceitos, é belo não ser politicamente incorreto. Pergunto a você, desinteressado: “És correto? És puro? És inacreditavelmente belo e perfeito?” “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”, diria o sábio.

Porque julgamos, o tempo todo, julgamos, e pensamos, e repensamos, e formulamos opiniões baseadas em conceitos sociais enraizados. Antigos, disfarçados de modernos, novos, cheios de propósitos. Porém, estejamos onde quer que seja, durante muitos momentos da vida, nos sentiremos ansiosos, medíocres, convencionalistas? Ou seremos o resultado do que realmente pensamos sobre nós e sobre os outros?

Acredito eu que nem um, nem outro. Viveremos eternamente a busca. A procura. Continuaremos fazendo o que temos de fazer, cumprindo o que temos de cumprir. Vivendo conforme gira o mundo e, de vez em quando (apenas de vez em quando), quebrando as convenções. E, em surgindo um sábio que as quebre de tal forma que todos tomem consciência, restarão as opções mais simples: criar novas convenções ou seguir o exemplo.

Porque, seja como for, quando formos inteligentes, continuaremos a busca e acreditaremos de verdade na mudança. E mudaremos sem receio, sem medo, sem autodestruição. Contudo, enquanto isso não acontecer, não passaremos de almas medíocres. Medíocres, planas e inquietas.

Belo Horizonte, 13 de dezembro de 2004 – 01:44.

(Publicado originalmente às 13h48 de 13/12/2004, em http://marcosarthur.blogspot.com.)


Pensamento do dia

A primeira liberdade vem de dentro para fora.


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