Arquivo do mês: março 2011

#curtaconto (6)

Elevou-se à décima potência. E sentiu-se invencível. Estava certo de que não mais pereceria. Então, por uma rosa, tombou.


#curtaconto (5)

Entendeu-se. E, por dado momento, especificou-se. E viu que era genérico; que havia crescido.


Reclamar é viver?

Não, este não é um texto de autoajuda, embora muitos dos eventuais leitores possam julgá-lo como tal. Pois bem, não estou aqui para ficar me explicando e, sendo assim, limito-me a escrever. E quem quiser ler, que leia.

É certo que, no decorrer da vida, nos deparamos com um sem número de problemas para os quais somos obrigados a, no mínimo, pensar em soluções. A “grande” questão é que nós, como habitantes do simpático planeta Terra, estamos sujeitos às imperfeições do mundo, tão inevitáveis quanto imprescindíveis para o nosso aprendizado. Ah, sim, estou falando o óbvio, vão dizer – e é isso mesmo. Não tenho a menor intenção de ser inovador.

A única intenção que tenho de verdade é provocar um pouco: já que é tão óbvio que os problemas são parte inexorável da vida, não deveria ser também óbvia a existência das soluções? O “ser humano médio” talvez diga que não é tão simples assim. Mas, como ser humano médio, sinto-me obrigado a discordar. Não só podemos encontrar soluções para os problemas por nossa própria conta, mas nos valer da experiência alheia para encontrar caminhos alternativos.

Aí é que está o grande desafio. Boa parte do tempo estamos preocupados em nos lamentar e culpar os outros ou as circunstâncias pelo nosso infortúnio. Mas em grande parte das vezes simplesmente somos incapazes de usar um pouco de otimismo para pensar diferente e deixar de lado as reclamações. Nesse “nicho” é que mora o perigo. Ao tornar a lamúria uma constante, nos arriscamos à estagnação e, pior, nos sentenciamos à infelicidade.

Não quero parecer “xiita” e lembro que sim, é legítimo indignar-se. E questionar. Mas é fundamental mexer-se. E agir. A lamentação vazia envenena – e mata aos poucos. Trata-se de uma questão de escolha, de visão de mundo, da forma como se encara a vida. De fato, ela pode ser um mar de tormentas, mas isso depende em grande parte do olhar que imprimimos às coisas. E do quanto nos movimentamos pelo aprimoramento.

A situação se complica “um pouco” mais quando temos outras pessoas sob nossa responsabilidade (e isso vale para família, amigos, conhecidos e colegas). Pois além de estragarmos nossa própria vida, corremos o risco de levar conosco alguns desavisados. Portanto, sugiro cautela. Se reclamar o tempo todo é uma opção sua, não fique “angariando adeptos”. Os outros não são obrigados a levar adiante o seu pessimismo. Nem a irradiar a sua infelicidade.

Enfim, evitando ficar muito repetitivo, deixo a você a reflexão. O que você quer ser quando crescer?


#curtaconto (4)

Em sã consciência, desexplicou-se. E viu que o mundo ao seu redor era mais belo. Então, viveu.


#curtaconto (3)

“Especificamente, não tenho nada a dizer” – pensou. “Estatisticamente, tenho muito” – refletiu. Concluiu: “Antes só do que mal acompanhado.”


#curtaconto (2)

“Somos todos vítimas de nós mesmos” – pensou. “E algozes” – refletiu. Concluiu: “Quem canta, os males espanta.”


Alfarrábios (II)

Vamos lá: para o segundo da série, nada melhor do que um encontro de amigos. As palavras e/ou expressões entre colchetes indicam leves alterações no texto original.

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Top soci (ou agulhagem total)

Belo Horizonte, 6 de abril de 2005 (quarta-feira) – 00:07

Depois do fritacê trabalhístico usual, eu já acreditando que ia desfrutar de minha caminha que jazia solitária no meu quarto, recebo um convite do jonhado culete para a comemoração do aniversário da irmã dele.

Confesso que hesitei por instantes, haja vista que estava cansado e parecia um camarão do sol de meio-dia que havia sido obrigado a suportar. Porém, como não podia de forma alguma negligenciar um compromisso “familiar” de tal envergadura, decidi responder positivamente e aceitar a cerveja que gentilmente me era oferecida.

Na prática, parecia ser mais um daqueles dias em que, na manhã seguinte, eu levantaria com aquela “leve” ressaca, para encarar mais um dia de ralação. Nesse quesito, creio que não estava enganado (vamos ver quando eu levantar).

(Esperem aí, que depois do macarrão instantâneo, termino a parada.)

Mas, na teoria, era mais uma chance de rever os amigos que ultimamente me têm proporcionado [alguns] dos melhores momentos da vida.

As médicas falaram de ginecologia e obstetrícia, os(as) engenheiros(as) falaram de exatas, e o jornalista falou um pouco de cada baboseira. Outros falaram de outras coisas. No final das contas, todos falaram de tudo e a rachação foi geral.

Imagine você receber uma mensagem dizendo que o sapo-boi parece uma perereca (mas é perereca ou sapo?) daquelas bem carnudas… Só estando presente para entender uma besteira dessas. Risos gratuitos, cada um mais alto que o outro.

As características de cada um na fala de cada um, nos gestos, nas palavras. Se não fosse ela, não seria tão ela. Se não dissesse aquilo, não seria tão ela (outra [ela], é claro). Se não soltasse uma daquelas, não seria ele. E assim por diante.

Entender? Esqueça. Você só vai conseguir quando tiver a sua própria turma de amigos (espero que já tenha) e eles estiverem todos ao redor de uma mesa, tomando cerveja, alguns fumando cigarros, outros destilando o simples prazer de estar juntos.

Música, bate-papo e um cinzeiro que lembrava as canecas dos festivais de cerveja que meu pai já tanto frequentou. Drogas? Nenhuma ilícita. Mas garanto que o refrigerante light era a pior delas. Talvez, a religião, a política ou o futebol (mas quem disse que discutimos isso?). Não importa.

De repente, uma quer ir embora porque está cansada, outra, porque também está cansada – e quase gripada. Então, naquele momento [em] que quase ignoro a minha própria casa (não, não estou bêbado), a família resolve me levar em casa e vigiar se estou mesmo entrando direitinho.

Nada comparável. Só a vontade de abraçar a todos e dizer o quanto gosto deles. O quanto são importantes para mim. E quanto o tempo, por mais cronológico que seja, não tem o menor valor “temporal” quando se gosta de verdade.

A vocês, Dani, Lavis, Lina e Marcinha, o meu eterno carinho.
06/04/2005 – 00:47

Um pequeno glossário:

TOP: adjetivo de dois gêneros – o “mais mais”, o melhor, o que está no TOPo; que detém o máximo de qualidades essenciais para satisfazer certos critérios de apreciação (quando escrito, geralmente é utilizado em letras maiúsculas, para causar uma TOP impressão). Ex.: o T. amigo; o T. esquema; o T. lugar.

soci: adjetivo de dois gêneros – forma sucinta (derivativa) de “social” – bacana, legal; interessante, que atrai a atenção; que agrega alto valor; que diz respeito ao ótimo-estar das massas e/ou indivíduos (é comumente utilizado precedido do adjetivo TOP, agregando mais valor à expressão) . Ex.: fui a uma festa TOP s.; conheci uma garota TOP s.

agulhagem: substantivo feminino – qualidade, estilo de vida ou ação própria de agulha; designativo daquele que toma atitudes que podem ser negativas (mais utilizado) ou positivas (menos utilizado), conforme o contexto da ação (muito usado seguido do adjetivo “total”, normalmente, como expressão dita após a narrativa de uma ação executada pelo próprio indivíduo ou por outrem). Ex.: bati o carro no meio-fio. A. total!; aquele samba novo que fiz é uma TOP a.

-cê: sufixo – utilizado para modificar a palavra, de modo a transformá-la num estado. Ex.: frita; trabalha; degusta.

jonhado culete: trocadilho, forma “distorcida” de jolete cunhado.

jolete: substantivo masculino – qualquer ser concreto, conhecido por meio da experiência, que possui uma unidade de caracteres e forma um todo reconhecível (isto é, indivíduo), mas que possui uma característica negativa qualquer (ou seja, todos os humanos do sexo masculino). Ex.: o j. “chegou” na menina; o cara é um j. qualquer.

rachação: substantivo feminino – ato ou efeito de “rachar” (rir); prazer, êxtase, conjunto de sensações alcançadas com o uso de riso. Ex.: ontem, a festa foi uma r.; aquele dia, no bar, foi uma r. total.

(Publicado originalmente às 19h12 de 6/4/2005, em http://marcosarthur.blogspot.com.)

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A publicação original teve um comentário, reproduzido abaixo.

1 Comments:

At 28/4/06 16:08, Anonymous Marcinha said…

Preciosidade… Essa é a palavra prá definir o que esses amigos representam e o que eles proporcionam…
Esse dia Top soci mora na minha memória… As idiossincrasias de cada um deles transformam qualquer agulhagem do dia a dia num top aproveitacê, que mais tarde será transformado em coisa boa de se ler pelos mesmos artistas…
INSUBSTITUÍVEIS!!! AMADÍSSIMOS!!!


#curtaconto (1)

Há tempos não via naquele campo um broto de plantação. A fome já lhe atormentava os filhos e além. Presto, ergueu-se e caminhou.


1h56’26”

XII Volta Internacional da Pampulha, em 2010

Esse é cerca de 1/4 do tempo que eu deveria dormir por dia – geralmente, durmo menos; ou aproximadamente 1/4 do tempo que eu deveria trabalhar por dia – geralmente, trabalho mais. Porém, não é nem uma coisa nem outra. Essa é a marca que eu conquistei na 5ª edição da Meia Maratona Internacional de São Paulo, depois de mais ou menos um ano de treinos. E, ao completar um ano e meio, em junho, pretendo enfrentar a “versão inteira”.

Muitos dos meus amigos têm-me perguntado por que, já que boa parte deles não consegue enxergar o valor de “tanto esforço” – embora a maioria reconheça que a prática regular de esportes pode ser muito benéfica à saúde. Não os culpo. Eu mesmo me perguntava isso ainda depois de já ter começado a treinar. Isso numa época em que eu achava que os meus treinos não passariam dos 6 km. Participar de provas, então, era lenda pura.

(Aqui, vale esclarecer um ponto: já corri antes, e com frequência razoável – e regular – mas nunca havia treinado como agora. E nunca havia treinado com um verdadeiro “técnico” – que prefiro chamar de mestre.)

O fato é que, ao longo de todo esse período em que venho treinando, desde que tive a oportunidade de conhecer o Emerson e a Nova Equipe, passei por vários estágios que me fizeram ir do “quase parado” ao desejo de correr uma ultramaratona. E aí, aos que pensam que vou virar “profissional”, não se enganem. Para chegar lá, o nível de dedicação, disciplina e estudo (sim, estudo!) tem de ser muito maior do que o meu. E eu não abandonei a minha vidinha “pacata”. Continuo trabalhando pra caramba e apreciando e cultivando as coisas “mundanas”, como o boteco de terça-feira à noite ou a feijoada de sábado à tarde. Só que hoje procuro equilibrar “tudo isso” com a minha vida de (nem-chego-perto)atleta.

A história começou quando, no início de 2010, ao realizar meu primeiro check-up (depois dos 30, sabe como é…), descobri uma taxa de colesterol um tanto acima da faixa limítrofe – que por si só já apresenta o seu grau de risco. Se o médico me recomendou exercícios? Na verdade, não. Ele me passou uma dose diária de 20 mg de sinvastatina (caso prefira, esta referência é menos técnica) e me entregou uma tabelinha com três colunas, contendo os alimentos que eu deveria evitar, os que eu deveria moderar e os que eu poderia consumir à vontade (esta última coluna, naturalmente, excluía boa parte das coisas boas do universo gastronômico).

Então, a pergunta persiste: por que todo esse esforço? Vamos lá, eu respondo! Porque embora inicialmente a corrida tenha surgido como alternativa mais saudável do que os remédios para o controle do colesterol, ela hoje é algo que me traz não apenas o prazer das maravilhosas endorfinas (quando você passa dos 10 km, a sensação é indescritível!), mas uma tranquilidade ímpar em relação aos problemas da vida em geral, principalmente de trabalho. E aí sim é a minha vez de perguntar aos workaholics de plantão (e algumas vezes sou obrigado a me incluir nesse grupo do qual não tenho orgulho) por que fazer tanto esforço. Ei, vocês aí, acreditem: a corrida alivia o estresse e melhora a qualidade de vida!

O que mais? (É certo que a dieta provocada pelo colesterol tem tudo a ver com isso, mas) a corrida me ajudou a melhorar – e muito – a minha alimentação. E provocou um “salto de qualidade” no meu consumo de água (hoje, me hidrato bem mais – acho que não preciso ficar desfiando os benefícios disso). Isso sem falar na minha relação com o sono. Nem mesmo me lembro da última vez que tive dificuldades para dormir.

Enfim, a proposta aqui não é fazer uma “ode” à corrida, nem torná-la a panacéia dos males do mundo, mas deixar um pouco da minha experiência como singelo exemplo. E quem for de seguir, que siga. Quem não for, que pelo menos torça por mim. Afinal, a maratona vem aí!


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